Este blogue é dedicado a todos aqueles que estão apaixonados.





20081012

Apontamento #11


  " Sabemos que atingimos o auge da intimidade com a outra pessoa, quando, mesmo em silêncio, nos sentimos confortáveis. "

  in Laboratório de Comunicação Interpessoal, ESCS

Chama-lhe o que quiseres,


  eu chamo-lhe necessidade de alguém que nos conforte, que substitua o acto de auto-toque em situações que nos perturbam, que esteja lá. Não é preciso falar, não é preciso sequer saber, é só preciso estar. Eu chamo-lhe forma pouco ortodoxa de ver as coisas, de ler as pessoas, de amar - é a partir de nós que vemos os outros. Alguém que sirva de espelho, que saia de dentro do armário, que nos ponha a funcionar os músculos faciais, que dê um motivo ao miocárdio para bater - uma razão. Eu chamo-lhe tudo menos palavras, como as que escrevo aqui. Pois as melhores coisas que dizemos, é quando estamos calados.
  Chama-lhe o que quiseres,
eu chamo-lhe amor.

20081011

Apontamento #10


  Porque insistes?
  O mundo não vai parar para tu saíres.

20081008

São carris que me levam a ti.

Quando não me encontrares, procura-me dentro de ti.


  É como querer matar o bicho do amor sem saber onde ele se esconde. Correr atrás do que não se pode apanhar. Passar a ponte. As ruas vazias e eu grito o teu nome. Escrevi o meu amor por ti numa parede, não leste. As casas em chamas, o meu coração em chamas. Tudo foge, tudo grita. Morri por ti. Corro atrás do teu grito. O sorriso da tua boca sobe-me pelo corpo. Fujo de ti. Fujo de mim. Vou contra nós e perco-me no fogo. Procuro-te nas esquinas. A saudade persegue-me com os olhos. Estou esfomeada de ti. Consomes-me a alma a cada passo. Corro, corro para o infinito. Vem, o mundo não espera por nós. A corda na garganta começa a apertar. Sufoco na falta de ti. É como um bicho cá dentro. Borboletas que me arranham o estômago. Olho para trás. Perco-me contigo por aqui. Deixa-me viver. Atiro-me do céu e caio em ti. Amarra-me ao teu peito. Arde-me o fundo. Quero-te a ti. Só a ti. Ninguém gosta de ninguém. Todos sabem amar e ninguém sabe o que é o amor. Tocas-me profundo. Chego perto de ti. Fico.
  O melhor de nós ainda está para vir.

20081006

Apontamento #9


  O meu melhor lugar és tu.

20081001

Saudade.


  
  O mais poético seria dizer que não precisamos de escrever sobre ela, mas sim de senti-la.
  Eu sinto-a e por isso mesmo, é que me apetece escrever sobre ela, hoje.  
  É mais uma das armadilhas do amor, esse maldito que nos afunda em tudo o que este mundo tem de pior, para chegarmos ao que de melhor nos pode dar.
  E tal como o amor, não conseguimos descreve-la, nem em muitas nem em poucas palavras, apenas em nenhumas. Porque não há abecedário que chegue, para escrever um texto com palavras suficientes sobre a saudade. Não há. 
  É fantástico, como uma pessoa pode entrar na nossa vida para nunca mais sair. Pode limitar-se a empurrar a nossa parede da solidão mais e mais para dentro, e nós ficamos ali. Vê-mo-la fazer isso, e deixamos. Deixamos, porque sabe bem. Masturba-nos o ego, ter alguém que nos faça não estar sozinhos. E continua a saber bem, até que nos apercebemos que a parede foi empurrada até ao limite da saudade, a parede está a cinco centímetros do coração e são esses cinco centímetros de solidão que criam a saudade. A parede nunca se parte, só chega a um limite. Chega a um limite, do qual temos tanto medo, tanto medo que nos deixamos ser empurrados para dentro ao deixarmos que outro alguém nos empurre. Quando a parede da solidão chega ao seu limite, chega bem perto do coração, a isso chama-se amor. 
  É fantástico, como uma pessoa pode entrar na nossa vida e nos mostrar a saudade. Porque, só quando sentimos saudade - amamos.
  O que causa saudade, é a diferença. Quem causa saudade, não é quem entra na nossa vida sem sequer dar-mos conta, não é quem fica por ficar, por conveniência ou porque sim, não é quem se vai embora sem se despedir, quem entra e sai, quem nem sequer nos conhece, quem não se dá a conhecer. Quem causa saudade, é quem marca a diferença. Quem pede para entrar, quem fica porque quer ficar, quem nunca sai.
  É essa pessoa, que faz os ponteiros do relógio não andarem tão depressa, que alonga a distância entre os corpos, que faz o coração querer saltar pela boca, que rouba o ar aos pulmões e faz doer a garganta de tanto querer chamar pelo seu nome sem poder. Parece doloroso, e é. Dói, dói muito. Mas, se não doesse não seria diferente, não faria sentido.
  E por mais lento que o relógio seja, ou por mais rápido.
  E por mais longe que se esteja, ou por mais perto. 
  E por mais difícil que seja, deixar alguém entrar na nossa vida e deixar um vazio, sem sequer sair dela.
  Haverá sempre alguém que vire a nossa vida ao contrário.
  Sim, a saudade é quando queremos a nossa vida de volta - ao contrário.

  Hoje a saudade perguntou por ti, eu respondi: solidão.