Este blogue é dedicado a todos aqueles que estão apaixonados.





20080914

Eu consigo.




  "Quando uma coisa não tem por onde se pegue, e mesmo assim se quer pegar nela, não há altura certa, mas também não há outra que não seja esta: já. Esta já. Vai já esta. E é agora.
  E , já agora, pega-se nela, com uma única intenção: a de não a largar.
  Assim peguei na minha vida, mesmo com medo que estivesse pronta. Arrisquei. Podia ser que contivesse ainda alguma coisa por descobrir ou acabar.
  (...)
  Talvez fosse tarde demais. Mas só pegando na minha vida naquele preciso momento, com toda a força que tinha, é que poderia saber se isso era ou não verdade. E, enquanto não soubesse, tinha muito com que me entreter. Muito, quer dizer. Se calhar, muito pouco. Mas era a única coisa que tinha. Se era muito ou pouco, não sei, mas era toda a minha vida."

  Cemitério de Raparigas by Miguel Esteves Cardoso.

Apontamento #7


  Rimo-nos do amor, 
quando é a única doença,
que nos mata de dentro - para fora.

20080911

Edie Sedgwick: a musa de Andy Warhol.




  PS: aconselho o filme The Factory Girl, uma biografia apaixonante:

  Andy Warhol conheceu Edie Sedgwick. Fez dela sua musa, apaixonado pela sua beleza e personalidade cativantes. Mas um amor puramente artístico - "She's a superstar.".
  Acendeu-lhe o cigarro, levou-a a festas, filmou-a em lingerie, lançou-a no mundo da moda com a trend das collants. Andy Warhol apresentou a Edie, a fama: "I gave you fame. Every teenage girl wants to be like you.".
  Mas um dia a sua musa apaixonou-se. Não o esqueceu. Apaixonou-se, só.
  Andy perdeu-se em ciúmes: não se sabe se dela com o rapaz, ou se do rapaz com ela.
  Castigou Edie, ignorando-a. Abandonando-a. Escolhendo novas musas. 
  Edie viu-se sozinha, tendo de escolher entre dois homens, amando-os de forma diferente. 
  Acabou na miséria.
  Sem a "protecção" de A. Warhol, Edie passou a ser ninguém. 
  Abusada por todos e consumidora assídua de drogas pesadas, acabou por entrar numa clínica de reabilitação. 
  Em 1970 saiu. 
  Em 1971 casou.
  No final desse ano morreu de overdose: tinha 28 anos.

20080909

Apontamento #6


  Sou mais hoje, contigo.
  Do que alguma vez fui, sozinha.

As pessoas são como livros: há que as ler.


  As pessoas entram e saem da nossa vida. 
  Umas são como aquelas revistas cor-de-rosa que lemos e deitamos para o lixo quando passam de prazo, simplesmente porque, depois de algum tempo, já não nos dizem nada de novo.
  Outras são como aqueles livros que lemos e sublinhamos e devoramos vezes sem conta, página por página, porque não queremos saber o fim.
  Eu sempre comprei os livros, não pela capa, mas pelo título. E sempre li o fim de cada livro antes de o trazer para casa comigo. Muitos com bons títulos: títulos inteligentes, cativantes, com asneiras para que a pessoa olhe, fique chocada e depois compre - ficaram na prateleira. Porque apesar da capa levar à promessa duma leitura longa e saborosa, o fim prometia muito menos, ou quase nada.
  Nunca comprei revistas cor-de-rosa, não gasto dinheiro com algo que promete não ter fim, quando já acabou há muito tempo.
  As melhores pessoas são como os livros. E as que melhor mentem, também.
  Há livros que valem a pena ser lidos, sublinhados, devorados com os olhos letra a letra, palavra a palavra - aprendemos muito com eles.
  Mas há livros que - não, não deitamos fora - mas mais vale livrar-mo-nos deles. Por isso é que existe o mito de que se trocam pessoas de longa data (livros por ler) por coisa nenhuma (espaço para novo livro). E para isso existem as pessoas novas (livros recentes) que substituem as pessoas de longa data (livros por ler) ou mesmo que as roubam de outras pessoas de longa data (livros lidos, sublinhados mas que perderam o interesse).
  Apesar de tudo, todas as pessoas procuram livros recentes, a cheirar a novo, com uma capa cativante e um título inteligente, que as faça querer espreitar a página qualquer-coisa-número-grande e descobrir já o fim, mas que consiga - ao mesmo tempo - fazer com que não o façam, de forma a que essa curiosidade dure... a vida inteira.
  As pessoas vão e vêem, muito poucas ficam - longe ou perto.
  Só fica quem lê. (E quem quer ser lido.)
  

20080908

És escada de incêndio da minha felicidade.


Apontamento #5

  Amo-te tanto, 
mas quanto?
  O coração não sabe contar.